Tuesday, January 09, 2007

"O Marxismo e a Questão Nacional" e a última prisão

No final de 1912, Lenine chama diversos dirigentes bolcheviques para Cracóvia, com o objectivo de decidir da ruptura com os mencheviques. Em seguida, Stalin é enviado para Viena para que se possa debruçar no estudo da questão das nacionalidades.

Aí escreve Marxismo e a Questão Nacional. Nessa obra, ataca a autonomia «cultural-nacional» dentro do Partido, denunciando ser o caminho para o separatismo e para a subordinação do socialismo ao nacionalismo. Stalin defende a unidade das diferentes nacionalidades num único partido central.

No seu regresso a São Petersburgo, é denunciado por outro traidor, Malinovsky, e preso pela quinta vez. Enviado para as mais remotas regiões siberianas, permanece preso por cinco anos, até à revolução de Fevereiro de 1917. Stalin passou mais de dez anos da sua vida preso.

Nasce o Pravda


(poster do pravda)

Em 22 de Abril de 1912, em São Petersburgo, Stalin publica a primeira edição do jornal bolchevique Pravda. No mesmo dia é preso juntamente com o secretário editorial, Molotov. A prisão ocorreu devido a uma denúncia de uma provocador, eleito para o Comité Central. Enviado para a Sibéria, volta a evadir-se e reassumiu a direcção do Pravda. Sob a sua direcção, o Pravda desenvolveu-se e atingiu uma circulação recorde de 80 mil exemplares.

É costume, por ignorância ou propositada má-fé, atribuir a criação do Pravda a Trotsky. É verdade que Trotsky dirigiu, a partir de Outubro de 1908, um jornal com este nome. Desde 1905 que um Pravda, publicado por mencheviques ucranianos, circulava e Trotsky ficou dono desse jornal no final desse ano. Esse jornal apenas conheceu cinco edições. Quando, em 1912, os bolcheviques lançam o Pravda, Trotsky – na altura menchevique – protesta. Não se trata, portanto, do mesmo jornal…

O jornal dos bolcheviques foi, como já vimos, organizado por Stalin e editado na base dos recursos financeiros recolhidos pelos próprios operários. Lenine dirigia ideologicamente o Pravda, escrevia quase diariamente para o jornal e dava instruções à redacção. Foram publicados no Pravda cerca de 270 artigos de Lenine, assinados com diferentes pseudónimos.

O Pravda foi alvo de constantes perseguições policiais. Ao todo, os redactores estiveram na prisão 47,5 meses. O jornal foi encerrado pelo governo czarista oito vezes, mas continuou a sair sob outros nomes. Nessas condições difíceis, os bolcheviques conseguiram editar 636 números do Pravda durante mais de dois anos.

Constrói-se o Partido Bolchevique…

Stalin defende a criação de um comité coordenador do Partido no interior da Rússia e a publicação de um jornal nacional, também dentro da Rússia, para encorajar e restabelecer a direcção do Partido.
Em Março de 1910, é novamente preso enquanto preparava uma greve geral dos trabalhadores do petróleo. Condenado a cinco anos de exílio, evade-se em Fevereiro de 1912 e regressa a Baku.
Entretanto soube que na Conferência de Praga, os bolcheviques tinham criado o seu próprio partido e que um comité russo, do qual ele era membro, tinha sido criado.

Bolchevique desde a primeira hora



(jovem Lenine)

Stalin apoiou sem hesitações a linha bolchevique desde a primeira hora, desde que leu Que Fazer?, de Lenine. Segundo o historiador (não comunista) Ian Grey, era uma decisão que «requeria convicção e coragem. Lenine e os bolcheviques tinham pouco apoio na Transcaucasia».
Em 1905, o líder georgiano dos mencheviques, Zhordania, publica uma crítica às teses bolcheviques, defendidas por Stalin, sublinhando porém a importância de Djugashvili no movimento revolucionário georgiano. Durante o mesmo ano, Stalin defende, contra os mencheviques, no seu trabalho Levantamento armado e a nossa táctica, a necessidade de luta armada para derrubar o czarismo.
Stalin tem 26 anos quando conhece Lenine no Congresso dos bolcheviques na Finlândia, em Dezembro de 1905.

Intensifica-se a actividade revolucionária

Entre 1905 e 1908, o Cáucaso conheceu uma intensa actividade revolucionária. A polícia contou 1150 «actos terroristas» e Stalin assumiu um papel destacado. Nos anos de 1907 e 1908, Stalin, juntamente com Ordzhonikidze e Voroshilov (o secretário do sindicato dos trabalhadores do petróleo), dirige uma importante luta legal entre 50 mil trabalhadores do sector petrolífero. Graças à luta, os trabalhadores conseguem o direito de eleger representantes dos trabalhadores para participar em reuniões para discutir os acordos colectivos. Lenine saudou esta luta, que teve lugar num momento em que a maioria das células revolucionárias na Rússia tinham deixado de funcionar.
Em Março de 1908, é novamente capturado e condenado a dois anos do exílio. Mas em Junho de 1909, volta a evadir-se e vai para Baku, onde encontra o Partido em crise e o jornal sem ser publicado. Três semanas após o seu regresso, o jornal volta a ser publicado. Num artigo, Stalin considera que «seria estranho pensar que jornais publicados no estrangeiro, longe da realidade russa, possam alguma vez servir para unificar o trabalho do Partido».

Organizador de lutas na Geórgia




Ainda em 1901, Stalin, Ketskhoveli e Krassin dirigem a ala radical da social-democracia georgiana. Adquirem uma impressora e reimprimem o Iskra e publicam o primeiro jornal clandestino da Geórgia Brdzola (Luta). No primeiro número, defendem a criação de um partido supra-nacional e atacam os moderados, que defendem um partido georgiano, podendo eventualmente associar-se ao russo.

Em Novembro desse ano, é eleito para o primeiro Comité do Partido Operário Social-Democrata da Rússia e é enviado para Batum, uma cidade cuja metade da população era turca. Em Fevereiro de 1902, tinha já organizado onze células clandestinas nas principais fábricas da cidade. No dia 27 desse mês, seis mil trabalhadores da refinaria de petróleo marcham sob a cidade. O exército abre fogo e mata 15. Quinhentos são presos.

A primeira prisão

Um mês mais tarde, em finais de Março de 1902, Stalin é preso e condenado a três anos no desterro siberiano. Contudo, em Abril de 1903, evade-se e, em Fevereiro de 1904, está de volta a Tiflis.
Durante a sua estadia na Sibéria, Stalin escreve a um amigo em Leipzig, pedindo-lhe cópias de Carta a um Camarada sobre as Nossas Tarefas de Organização, e expressando-lhe o seu apoio às posições de Lenine. Depois do Congresso de Agosto de 1903, o Partido encontra-se dividido entre bolcheviques e mencheviques. Os delegados georgianos estão neste último grupo…

Teoria e prática

«O horizonte politico (de Stalin) é restrito, a sua preparação teórica primitiva… A sua mente é espantosamente empírica e despojada de qualquer imaginação criativa»

Esta frase de Trotsky, homem com uma desmedida imagem de si mesmo, foi escrita na sua obra My Life, foi repetida até à exaustão pelos teóricos da burguesia na sua dura luta contra o socialismo, encarnado na pessoa do seu dirigente máximo na época, Josef Stalin.
Ao contrário do que Trotsky afirma, desde o início que Josef Djugashvili revelou grande sagacidade e uma memória notável. Pelos seus próprios meios, adquiriu uma grande cultura política e tornou-se um leitor infatigável.

No 1.º de Maio de 1900 Stalin fala numa concentração ilegal perante 500 operários nas montanhas perto de Tiflis, na Geórgia. Sob os retratos de Marx e Engels, ouvem-no proferir discursos em georgiano, russo e arménio. Durante os três meses que se seguem, ocorrem greves nas fábricas e nos caminhos de ferro de Tiflis – Stalin foi um dos principais organizadores.

No início de 1901, distribui o primeiro número do jornal clandestino Iskra, publicado por Lenine em Leipzig. No 1.º de Maio desse ano, dois mil trabalhadores organizam pela primeira vez a céu aberto uma manifestação em Tiflis. A polícia intervém com violência. Lenine escreve no Iskra que esse acontecimento foi «de uma importância histórica para todo o Cáucaso».

Os primeiros passos




Em 1897, Josef Djugashvili juntou-se à primeira organização socialista na Geórgia, dirigidas por Zhordania, Chkheidze e Tseretelli, que vão, mais tarde, tornar-se famosos mencheviques. No ano seguinte, já dirige círculos de estudo para operários. Nessa altura, já é leitor das obras de Plekhanov e de Lenine, que escrevia as suas primeiras obras. Em 1899 é expulso do seminário. Começava a sua carreira de revolucionário profissional.

Koba, jovem revolucionário


(foto da prisão de de Josef Djugashvilli) Josef Vissarionovitch Djugashvilli, mais tarde Stalin (homem de aço), nasceu em 1879, na Geórgia. De origens humildes, conseguiu a entrada no seminário de Tbilissi pelo seu bom desempenho escolar, mas seria expulso por "actividades subversivas". Por alturas da Revolução de Outubro, era dos poucos dirigentes bolcheviques de origens operárias.
Na Geórgia, onde entrou para o Partido Operário Social-Democrata da Rússia, foi dos poucos a apoiar as ideias de Lénine, quando isso não era propriamente popular. Revolucionário desde jovem, esteve várias vezes preso e evadiu-se várias vezes também, sempre para voltar à actividade política.
Foi dos poucos dirigentes soviéticos a permanecerem sempre no interior da Rússia, onde desenvolveu um importante trabalho de organização e dinamização das lutas operárias contra o czarismo. A criação e difusão da imprensa comunista também lhe deve muito.

Nos próximos posts daremos conta da actividade de Josef Djugashvilli nos primeiros anos.